Título: Allegiant
Autora: Veronica Roth
Editora: Rocco (Twitter/Facebook)
Tradutor: Lucas Peterson
Páginas: 526
Série: Livro 01:
Divergente
Livro 02:
Insurgente
Uma escolha irá te definir. E se todo o seu mundo fosse uma mentira? E se uma única revelação - assim como uma única escolha - mudasse tudo? E se o amor e a lealdade fizessem você fazer coisas que jamais esperaria? A conclusão explosiva para a trilogia Divergente, bestseller mais vendidos do New York Times, revela os segredos de um mundo distópico que cativou milhões de leitores em "Divergente" e "Insurgente"!
Quando me deparei com Divergent há três anos na livraria não passou pela minha cabeça que a trilogia escrita por uma autora iniciante me traria tantos sentimentos, nunca subestimei a série, mas também não superestimei e o fato foi que esta não ultrapassou minhas expectativas - ela as estilhaçou, forçou o limite e foi além do que muitos livros que chamo de favoritos foram e não, não é exagero... quem leu entende, quem não leu entenderá.
Insurgente veio com o seu final abrasador, perturbador e instigante que trouxe à minha mente muitas teorias sobre Allegiant, eu sabia que Veronica Roth iria surpreender, mas não fazia ideia de como, não tinha noção do quão grande era o plano dela e tinha medo do que ela poderia fazer já que os finais de ambos os livros anteriores são surpreendentemente explosivos. Quem diria que minhas teorias se assemelhavam a uma brincadeira de criança quando comparadas com o que o livro realmente é.
Allegiant é narrado pelo ponto de vista do casal principal: Tris e Tobias e isso contribuiu para que ficasse ainda mais conducente, o livro se inicia dias após a última cena de Insurgente e já de uma forma que nenhum fã pensou que começaria: Tris, Christina e Cara serão julgadas por terem participado do movimento que levou à sociedade da futurística Chicago a intrigante gravação de Amanda Ritter, que revela poucas pontas do que há além da fronteira. Evelyn está cada vez mais decidida em acabar com o sistema das facções, se tornando mais autoritária que nunca e impondo aos cidadãos uma ditadura onde cada passo parecido com o que eram acostumados em suas facções será mirado por uma arma.
Tobias, que além de ter que agir contra sua família, cria um plano para tirar Tris da situação em que se encontra, porém uma atitude leva à outra e, quando menos espera, nossos personagens estão envolvidos em um grupo de rebeldes que decidiram se unir para finalmente descobrir o que há além da cerca e lutar, ou pelo menos tentar, contra a tirania de Evelyn para então seguir as suas próprias direções, o grupo se denomina “Allegiant”.
Mas, é claro, não vou falar mais que isso, pois, apesar de o que eu falei não fazer nenhum jus à enorme história que Veronica escondeu dos seus leitores por todo esse tempo. O que Roth fez foi construir uma história complexa nos dois primeiros livros, fazer nós acreditarmos nela e então destruí-la colocando em cima disso uma verdade muito maior do que a antiga. Ela foi muito além do que o esperado por qualquer um e me surpreendeu como poucas outras séries fizeram antes.
O clima sentimental que se encontrava nos livros anteriores se intensificou em Allegiant, a autora falou em várias entrevistas que este não teria a carga de ação que Divergente e Insurgente trouxeram, o que é verdade, mas tudo o que ela colocou no lugar da ação que era encontrada antes fez com que a história ficasse inovadora, que a conclusão fosse bem diferente das que estamos habituados a ler, tem ação sim, mas o desfecho vai muito além de uma luta, o livro veio para fechar as pontas que seus antecessores deixaram, porém fez muito além disso, ele abriu dezenas de novos segredos, novos mistérios e, ao longo do livro, criou cenas que todos ficamos esperando para ver.
"Você não acredita nas coisas porque estas fazem sua vida melhor, você acredita nelas porque são verdadeiras."
Os personagens evoluíram, é impossível enxergar Tris como a Beatrice da Abnegação introduzida em Divergente, ela é uma audaciosa completa agora, e assim como os outros personagens, carrega seus fardos, suas perdas e sua culpa e, como digo desde Divergente, Veronica faz com que seus personagens se tornem reais, palpáveis, com sentimentos fortes, com pensamentos únicos e com toda consequência de suas ações.
Mas não é só os personagens que evoluíram, a história em si evoluiu, os relacionamentos, os cenários, a narração e tudo isso me leva a pensar em uma única coisa: depois de anos escrevendo Veronica Roth mudou sua forma de escrever, que antes era simples, direta, sua escrita está mais complexa, assim como todas as outras coisas no livro. Sua criatividade fez coisas que eu nunca tinha lido antes em livro algum, trouxe novidades que de tão grandes se tornaram incríveis, fantásticas e, é claro, inesquecíveis como cada livro da trilogia foi.
Vai ser difícil para mim perceber que a trilogia Divergente acabou, eu vou sempre estar esperando por um novo livro, mesmo sabendo que é praticamente impossível. Agradeço imensamente à Roth por me contar esta história, eu entendo o caminho que ela quis seguir, mas moça, você acabou comigo, nunca um livro me deixou tão surpreso e sentimentalmente estilhaçado quanto este o fez e foram estas surpresas que me fizeram diferenciar a série entre tantas outras.
Divergente cumpriu seu papel e foi uma história divergente, nova e inimaginável. Recomendo a trilogia para todos que gostam de ficção, que gostam de livros que além da trama central traz dezenas de outras e que ao final deixa uma mensagem memorável. Leiam e sejam corajosos.
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